Vivemos em um eterno vazio? – Desbravando o pêndulo da vida

  

A Oscilação entre o Desejo e o Vazio

    Alguma vez você já se perguntou: "Estou onde realmente deveria estar na vida? Ainda me falta algo?" Essas são perguntas que parecem simples, porém jamais conseguiremos respondê-las de forma verdadeira. Pense em um cenário no qual você dorme e acorda com as respostas das perguntas anteriores, como se tivesse conseguido tudo o que faltava para alcançar sua tão grandiosa felicidade. Agora, após tudo isso, eu posso afirmar apenas uma coisa: você ainda se sentiria vazio e com a mesma maldita pergunta que fez antes de dormir, mesmo após acordar com sua "nova" vida. Mas por que? Isso é o que iremos ver a seguir.

    Esse fenômeno pode ser explicado por uma ideia simples, porém poderosa, chamada pêndulo de Schopenhauer ou pêndulo da vida. Ela diz: a vida oscila entre a ânsia de ter e o tédio de possuir. Mas afinal, o que isso significa?




O Vazio Após a Conquista

    Quantas vezes você já se perguntou: "Vou ser feliz quando tal coisa acontecer"? Então, quando finalmente consegue atingir esse objetivo que tanto almejava, percebe que toda aquela motivação e vontade que teve para conquistá-lo simplesmente somem, e em seu lugar, um novo vazio ocupa a sua mente. Eu mesmo já me deparei diversas vezes com essa situação, mas irei destacar a que me trouxe o desconforto que me fez encontrar a razão para escrever a resposta que estou compartilhando agora.

    Participei de três simulações da ONU, em todas com o mesmo objetivo: conseguir uma menção honrosa, que nada mais é do que uma validação de terceiros de que você se destaca entre os demais. Lembro como se fosse hoje a sensação de não ter ganho nas duas primeiras. Um frio na barriga e uma raiva de mim mesmo inimaginável, como se me odiasse por não conseguir uma validação de ser bom em algo que eu já sabia que era bom. Usei toda essa dor e obsessão para me motivar na terceira vez, e dessa vez eu consegui.

    No momento em que subi no palco para recebê-la, toda aquela vontade de conquistar rapidamente se transformou em um questionamento que assombrou minha mente por dias: "Sério que me odiei tanto por isso?" Instantaneamente, me lembrei do que fiz nas outras vezes que perdi; fiquei dias falando somente sobre isso, como se isso fosse fazer uma mudança estrondosa na forma como meus amigos e as pessoas me enxergariam ou veriam minhas habilidades.

    Apesar disso tudo, cheguei a uma conclusão: em todas as três simulações, eu fui exatamente a mesma pessoa, com as mesmas habilidades. Ou seja, eu realmente me odiava e me auto-desprezava por causa de um papel com meu nome "afirmando" algo que eu sempre soube de mim mesmo.

    Tudo isso que contei se relaciona com uma das etapas do pêndulo, o "tédio de possuir". Seja em seus relacionamentos, conquistas pessoais, estudos... todos nós atingimos o mesmo fim ao alcançar nossos objetivos nesses aspectos: um vazio inexplicável.




A ânsia de ter e o seu ciclo

    O que devemos fazer sabendo disso? Desistir de sonhar? Deixar de almejar um objetivo? Aceitar que a felicidade, como imaginei durante toda a minha vida, é uma ilusão?

    Essas foram perguntas que busquei respostas para. E a resposta que encontrei foi: Talvez o segredo para viver bem não seja dominar o pêndulo, mas sim encontrar a beleza no seu eterno movimento.

    Mas afinal, por que nunca estamos satisfeitos com nossas conquistas? A felicidade parece estar sempre a um passo de nós, na nossa próxima conquista. Isso nos faz correr de forma incessante atrás dela, como se fôssemos um touro perseguindo o pano vermelho da tourada. Assim como o toureiro desvia o pano, aquilo que parecia estar tão perto de nós volta ao zero, e precisamos correr novamente atrás disso de forma infinita. Esse evento é o famoso "pêndulo da vida" de Arthur Schopenhauer, que afirma que estamos eternamente oscilando entre querer algo e ficar entediados quando conseguimos.

    Nesse ciclo, os momentos de felicidade desaparecem facilmente, enquanto os períodos de tédio e esforço são longos. Para Schopenhauer, realizar um desejo ou sonho seria apenas um alívio temporário diante de um mar de sofrimento em que vivemos. Mas será que essa é apenas uma visão extremamente pessimista da vida, de alguém que, aparentemente, odiava o fato de ter nascido, ou existe uma base sólida por trás disso?

    A Northwestern University buscou essa resposta ao observar três grupos distintos de pessoas: ganhadores da loteria, vítimas de acidentes que ficaram paraplégicas e pessoas de um grupo de controle. O objetivo da pesquisa era simples: quem seria mais feliz após um ano de cada evento?

    Os resultados mostraram que o nível de felicidade de todos os três grupos era praticamente o mesmo. Os ganhadores da loteria, no início, ficaram felizes, mas depois voltaram ao seu estado normal. As vítimas dos acidentes se adaptaram, assim como o grupo de controle. Ou seja, por mais que eventos externos influenciem nossa felicidade, esses efeitos duram apenas um certo tempo e, eventualmente, desaparecem. Em resumo, após um ano, não fará diferença para sua felicidade ter ganhado na loteria ou ter perdido alguém que amava.

     Por que tivemos esse resultado? 

    Esse resultado é explicado por um fenômeno chamado Adaptação Hedônica, que nada mais é do que a tendência natural do ser humano de retornar a um nível estável de felicidade, independentemente das experiências positivas ou negativas que vivemos.

    Devemos isso à capacidade humana de se acostumar com novos estímulos ao longo do tempo. Ou seja, à medida que uma situação se torna mais normal para nós, o impacto emocional e as reações a ela diminuem. Esse processo ocorre no nosso cérebro devido a algo muito conhecido: a dopamina.

    Pense, por exemplo, que você deseja algo, como uma Coca-Cola. Isso fará com que a dopamina seja instantaneamente liberada, criando uma sensação de prazer. No entanto, pouco depois, ela cai abaixo do nível natural em seu corpo. Essa queda desencadeia uma motivação ainda maior para conseguir a Coca-Cola, o que, por sua vez, faz você se mover em direção ao objetivo.

    Com isso, podemos chegar à conclusão: quando você deseja algo inicialmente, isso o coloca em movimento para buscar o que quer. Porém, à medida que você não possui o que deseja, começa a sentir a dor da falta, o que motiva ainda mais sua busca. Esse é um efeito simples, mas poderoso e muitas vezes não facilmente perceptível. Ele mostra que o que nos coloca em movimento não é necessariamente o desejo de possuir a coisa em si, mas o desejo de aliviar a dor de não tê-la.

    No fim das contas, sempre voltamos ao nosso estado inicial, o que é a essência da Adaptação Hedônica.





Onde habita o tédio de possuir?

    Na neurociência, existe algo chamado "Erro de Previsão de Recompensa", que explica a diferença entre o resultado esperado e o resultado obtido. Quando o resultado é melhor do que imaginávamos, os níveis de dopamina aumentam, nos motivando a realizar novamente a tarefa. Quando o resultado é igual ao esperado, nada muda; você permanece no mesmo estado de antes de desejar aquilo. No entanto, quando o resultado é pior do que esperávamos, os níveis de dopamina caem, diminuindo nossa motivação e bem-estar. É nesse momento que o tédio de possuir se instala.

    Se você pensa que ganhar na loteria, conquistar alguém ou ser a pessoa mais bonita do mundo trará uma vida perfeita, sem tristezas ou sentimentos ruins, você está severamente enganado. A felicidade não é um produto que você encontrará magicamente algum dia na vida. Quanto mais alto mirarmos para essa felicidade idealizada, mais frustrante se torna a queda — que é quando nos deparamos com a realidade à nossa frente.





Mas por que o cérebro faz isso conosco?

    Depois de ler tudo isso, você deve estar pensando: "Nossa, que pensamento ruim! Sou mais feliz do que isso. Estou lendo sobre a vida de alguém frustrado até agora." Pois é... eu também pensei assim. Porém, descobri que essa montanha-russa de emoções, na verdade, é feita para nos ajudar e, na verdade, é positiva.

    Imagine o seguinte cenário: e se fôssemos destruídos para sempre após perder algo ou alguém, ou se atingíssemos a felicidade plena após uma conquista? Como conseguiríamos acordar todos os dias e buscar evoluir a cada dia? O reajuste emocional da adaptação hedônica e da dopamina nos permite lidar com os altos e baixos de forma que nos mantém estáveis, mantendo o nosso bem-estar emocional constante, independentemente do que acontece ao nosso redor. E, principalmente, nos empurra para frente.

    Como já vimos, as alegrias das conquistas desaparecem rapidamente, e isso cria em nós uma motivação natural para explorar o desconhecido. Essa inquietação é o que permitiu que o aparelho que você está usando para ler e o teclado que uso para escrever fossem criados. Esse processo é o que nos fez sair de primatas para a espécie mais dominante que conhecemos.

    No entanto, ainda há uma questão a ser respondida: qual o preço disso? Eu diria que esse processo custou a nossa felicidade. É como colocar o motor de uma McLaren da Fórmula 1 em um Peugeot 208, onde o ser humano não conseguiu se adaptar à rapidez e às cobranças do mundo em que vivemos.

 



Desbravando o ciclo

    Mas o que isso significa? Estamos aprisionados em um ciclo eterno de desejar, conquistar, ficar entediados e repetir?

    Nós, humanos, sempre sabemos dar um "jeitinho" nas coisas, e com esse ciclo não foi diferente. Mas, para sair dele, primeiro precisamos compreendê-lo. A sociedade transformou o pêndulo de Schopenhauer em uma montanha-russa de consumismo e validação externa (como mencionei no início), o que nos leva a um caminho perigoso: a crença de que precisamos possuir algo ou atingir um marco específico para nos sentirmos completos.

    Porém, quando você atingir esse feito, vai se olhar no espelho e se perguntar: "Cadê a felicidade que foi prometida quando eu chegasse aqui?". Isso nos leva a um questionamento, no mínimo curioso: "Como é possível? Tenho tudo o que quero, tudo o que desejo, mas mesmo assim sinto um vazio incompreensível dentro de mim. Qual o sentido da minha vida?"

    A resposta para isso está diretamente relacionada à falsa compreensão de que uma vida feliz significa ser feliz o tempo inteiro, como se estivéssemos vivendo em um episódio de Brooklyn Nine-Nine. No entanto, a realidade está mais para um Big Brother: na maior parte do tempo, nada acontece. Às vezes é divertido, e outras vezes você se questiona o que te levou a ver 22 pessoas dentro de uma casa, vivendo suas vidas e tentando ganhar um prêmio. Mas você continua assistindo, assim como na vida, querendo ver no que vai dar.

    Por fim, é possível perceber que não são os fatores externos que determinam nossos sentimentos, mas sim como pensamos sobre eles. Por exemplo, podemos associar a felicidade à presença de alguém que gostamos, mas, ao fazer isso, estamos colocando nossa felicidade nas mãos de fatores externos que não conseguimos controlar. Isso se torna extremamente perigoso, pois você está basicamente terceirizando sua felicidade para outra pessoa. Se, algum dia, isso deixar de ser correspondido, você se tornará obcecado em ter aquilo de volta. Isso faz com que deixemos de prestar atenção em nós mesmos e comecemos a nos tornar dependentes daquilo que nos faz felizes — nos tornando, assim, escravos da nossa própria vontade.

    Paralelamente a isso, desde o momento em que nascemos, nos é vendido que sentir tristeza ou desconforto com a vida é errado. Quando abrimos as redes sociais, vemos namoros perfeitos, corpos perfeitos, viagens perfeitas e uma felicidade sem limites. Isso nos leva a questionar: "O que eu fiz de errado para ser um lixo comparado a isso?". Quando esse sentimento afloramos, começamos a afundar em drogas, festas, apostas, entre outras coisas, buscando fugir da realidade, pois nos foi dito que nossas vidas não valem a pena ser vividas.

    Se, para você, ser feliz significa ter coisas, então não são você que as possui, mas sim elas que te controlam.

    A resposta para sair desse ciclo é saber e aceitar que a vida não se trata de chegar a um destino final de felicidade eterna, mas sim de aprender a aproveitar a viagem, nesse caminho rochoso, com altos e baixos. Para isso, existe um caminho que nos ensina a ver tudo de uma nova maneira.



O Caminho para Schopenhauer

    A realidade é que só existem dois tipos de pessoas que não experimentam emoções dolorosas: psicopatas e os mortos. Porém, como não sou nenhum dos dois, vou descrever a qual grupo pertenço: seres humanos normais. Para nós, a questão que surge na nossa mente é: como lidamos com isso de forma construtiva?

    Schopenhauer propôs duas formas para superar o seu "pêndulo da vida": focar em prazeres simples ou se tornar um monge (não é uma piada, é sério). Ele acreditava que a verdadeira felicidade vem da redução dos desejos. Ao nos desapegarmos das ambições mundanas, encontramos contentamento na simplicidade. Schopenhauer defendia a ideia de meditação e atenção plena para apreciar o presente, em vez de entrar no ciclo das conquistas. Ele sugeria cultivar uma satisfação interna, independente das realizações externas.

    Embora eu considere essa uma alternativa interessante, e acreditasse nela até ler a coleção de Nietzsche, descobri uma alternativa ainda mais real e, para mim, mais eficaz do que a proposta por Arthur Schopenhauer.


O caminho para Nietzsche

    Diferente de Schopenhauer, que sugere o desapego dos desejos, Nietzsche defende a criação de valores e objetivos individuais. Ao definir o sentido que sua vida tem, você passa a cultivar um senso de propósito que transcende a natureza cíclica do desejo e do tédio.

    Para Nietzsche, é necessário que, em vez de focarmos apenas em ter, busquemos nos tornar algo. Essa mudança de visão e mentalidade sobre a vida nos encoraja a nos vermos como indivíduos em constante construção, evoluindo continuamente por meio do que vivemos.

    Nessa etapa, entra a "vontade de poder". Nietzsche propõe que a principal força motriz da humanidade não é a sobrevivência ou a reprodução, mas sim a busca pela realização e afirmação da própria existência. É essa vontade que nos permite transcender nossos limites e afirmar quem somos em um mundo hostil, implacável e indiferente ao que lutamos.

    Com a vontade de poder, podemos superar obstáculos e moldar nosso próprio destino. Em última instância, ela representa uma afirmação da vida e da possibilidade de sermos felizes. Para Nietzsche, a felicidade é a sensação de que o poder aumenta, de que uma resistência foi superada.

    Por isso, o filósofo alemão defendia de forma constante que a luta é essencial para o crescimento pessoal e a autorealização.


Conclusão sobre o Pêndulo

    Comece a deixar de ver os desafios da vida como fardos. Podemos enxergá-los como oportunidades de desenvolvimento. Essa perspectiva nos faz mudar o foco da oscilação entre prazer e dor, para nos envolvermos ativamente com as dificuldades que enfrentamos. Foi ao aprender a dar sentido ao sofrimento da vida e às dificuldades que enfrentei que consegui dar o próximo passo na minha evolução pessoal e sair da escuridão em que estava.

    A vida é muito complexa para ser explicada de forma simples. A verdade é que aprender a aceitar, e até mesmo abraçar, as emoções dolorosas e os momentos difíceis é fundamental para uma vida feliz. Como defendido pelo estoicismo: embora não possamos controlar eventos externos ou nossos sentimentos, podemos controlar algo muito mais importante: como iremos agir em qualquer circunstância.

    Com isso, podemos transformar nossa visão e mentalidade em relação à vida. Não se trata de eliminar o pêndulo, mas de aprender a usar cada movimento como uma oportunidade de crescimento e superação. Pois, quando superamos uma resistência, a felicidade inunda nosso ser por completo. Mas quando essa resistência nos vence, a frustração bate à porta. E sabe o mais interessante? Quando superamos todas as resistências e atingimos um objetivo, já estamos mirando a próxima onda nesse oceano turbulento que é a vida. Esse ciclo não tem fim e estamos presos a ele até o nosso último suspiro. Porém, ele não é uma maldição. Na verdade, esse loop é a essência da vida.

    Ao contrário do que muitos pensam, a felicidade não mora no conforto, luxo ou relações. A felicidade habita na superação constante e no crescimento contínuo. Quando mudamos nosso foco da busca por uma felicidade confortável para o crescimento pessoal, algo maravilhoso acontece: aquele mar turbulento que antes nos assustava agora nos motiva a aprender a como navegar por ele. É justamente na dificuldade de aprender a nos navegar que encontramos propósito, motivação e felicidade.



Mas, afinal, o que aprendemos com tudo isso?

    Agora que você leu tudo, conseguiu entender por que estalar os dedos e conseguir tudo o que quer não é a solução. A vida não se trata de chegar a um destino final de felicidade plena, onde tudo magicamente estará tranquilo e maravilhoso. Ela é sobre aproveitar ao máximo o momento em que você está agora.

    Enquanto navega pelo oceano turbulento que todos enfrentamos, a minha sugestão, após muito estudo sobre isso, é transformar a ânsia de ter em ânsia de ser. Dessa forma, o tédio de possuir naturalmente se tornará a satisfação de acordar e ver que você está se tornando um ser humano mais evoluído a cada dia.

    O pêndulo de Schopenhauer não precisa ser uma prisão; ele pode ser o caminho para o seu crescimento e felicidade, basta que você escolha vê-lo dessa maneira. Aproveite o principal presente que nos foi dado: a vida. Então, não seja tímido para experimentar, superar, viver e se desafiar.

    Da próxima vez que se sentir preso entre o desejo e o vazio, lembre-se de que você não é uma folha ao vento, indefesa à mercê dos caprichos do destino. Você é o próprio vento. Você tem o poder de direcionar a sua vida, de encontrar significado e aprendizado nas lutas e no sofrimento, e transformar cada oscilação do pêndulo da vida em um capítulo único da sua história, cheio de possibilidades e descobertas.

    Por fim, trago a frase de um grande homem, vendedor de camarões e campeão olímpico de pingue-pongue de um dos meus filmes favoritos: "A vida é como uma caixa de chocolates, você nunca sabe o que vai encontrar, mas pode escolher como saborear cada momento."

    A felicidade não habita no que você alcança, mas no que você se torna para atingir seus objetivos. Você jamais preencherá seu vazio focando apenas no que ganhou. Lembre-se das pequenas vitórias e da evolução pessoal que teve para atingir um fim. É nesse local que a verdadeira felicidade habita.






















Referencias: Leo Xavier; Henri; Tinocando podcast; Northwestern University; Wikipedia; pensador - forrest gump 























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